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Varejo, serviços e reformas

Aos poucos, vamos tomando conhecimento dos dados econômicos do fechamento de 2018. O IBGE acaba de divulgar o desempenho do varejo e do setor de serviços. Comecemos pelo varejo, apurado através da Pesquisa Mensal de Comércio (PMC).

Um resultado que chamou a atenção na PMC foi a queda do volume de vendas do comércio varejista, na comparação entre dezembro e novembro de 2018. O recuo foi de 2,2%, num mês que, como se sabe, concentra datas comemorativas bastante importantes para o setor. Seria esse mais um reflexo persistente da crise?

Na verdade, não. A queda do mês de dezembro sucede a alta muito expressiva do mês de novembro, quando o volume de vendas avançou 2,9% na comparação com outubro, o que sugere um ganho de importância da Black Friday. Aqui, é importante frisar que estamos comparando apenas dois meses. E se mirarmos um horizonte maior? Nesse caso, vamos encontrar que, ao longo de 2018, o volume de vendas do comércio varejista cresceu 2,3% na comparação com 2017. Quando avaliamos o chamado varejo ampliado, que inclui a venda de veículos, motocicletas e materiais de construção, a alta foi de 5,0%.

Já o setor de serviços continuou a exibir queda na comparação anual. O recuo do volume de serviços prestados às famílias foi de 0,1% na comparação entre 2018 e 2017. Cumpre notar, porém, que no auge da crise, os recuos eram ainda mais fortes.

Dado após dado, vamos confirmando o lento processo de retomada da economia. O ritmo ainda não é o desejado, mas a percepção de que o quadro melhorou (ou deixou de piorar), já começa a aparecer em sondagens com os empresários. O Indicador de Confiança do MPE mostra, por exemplo, que é crescente o número de empresários que notam alguma evolução nos últimos seis meses.

Ao reunir-se, em fevereiro, para definir a taxa básica de juros da economia (a SELIC), que se manteve em 6,5% ao ano, o Banco Central enfatizou a importância das reformas e ajustes na economia brasileira, apresentados como condição para que inflação permaneça baixa – em janeiro de 2019, a inflação acumulada em 12 meses chegou a 3,78%, um resultado bastante confortável, a se considerar o histórico do país.

Com o início da nova legislatura, acaba de ser colocada à mesa uma proposta de reforma do sistema previdenciário. Há também a expectativa de que, em seguida, o governo possa seguir com discussões sobre o sistema tributário e sobre as questões trabalhistas. É um caminho para destravar o investimento e acelerar a recuperação.