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OBSTÁCULOS AO EMPREENDEDORISMO NO BRASIL

É consensual que o desenvolvimento depende da atividade empreendedora. É o empreendedorismo que gera riqueza e promove o aumento da produtividade por meio da concorrência e da inovação. Portanto, não existe nação desenvolvida sem atividade empreendedora.

São fundamentais para o nível de empreendedorismo de um país uma cultura que valoriza a iniciativa empresarial e um contexto institucional o qual ofereça condições e liberdade para empreender. Por mais que muitos brasileiros sonhem passar em um concurso público para ter estabilidade, o Brasil tem uma parcela expressiva que deseja empreender, isto é, existe uma cultura que valoriza o empreendedorismo. É o que mostra alguns dados da pesquisa Global Entreprneurship Monitor, entre 54 países no ano de 2017.

Se, por um lado, estamos em 31º lugar – com 15,25% da população adulta intencionada empreender. Por outro, estamos em 10º lugar quando o assunto é população adulta envolvida no início da abertura de algum negócio (20,3%); em 4º lugar na abertura de empresas com 42  meses ou mais de existência (16,5%); e em 13º no número de pessoas que afirmam ter habilidade e conhecimento necessários para começar um negócio (55,89%). Sendo que, em 2015, 80,08% dos brasileiros em idade adulta afirmaram concordar que empresários bem-sucedidos têm status e reconhecimento social alto. Ou seja, parte significativa dos brasileiros valorizam e têm vontade de empreender.

Todavia, o cenário é diferente quando verificamos alguns dados sobre a qualidade da atividade empreendedora no Brasil. Segundo esta mesma pesquisa,. em 2017, entre os envolvidos no início da abertura de um negócio, somente 1,16% está empreendendo motivado por oportunidade, colocando-nos na 47º posição entre 54 países. O oposto ao empreendedorismo por oportunidade é o por necessidade, que consiste em abrir um negócio como alternativa à falta de emprego. A maior parte dos estudos mostra que o empreendedorismo por necessidade contribui pouco para o processo de desenvolvimento. Além disso, entre os envolvidos no início da abertura de um negócio, somente 3,05% esperam empregar seis ou mais pessoas nos próximos anos (52ª posição) e 13,91% afirmam que seu produto ou serviço é inovador no mercado (48º lugar). Por que, apesar do brasileiro valorizar a atividade empreendedora, ele não o faz com qualidade suficiente para impactar no aumento da produtividade, emprego e inovação do país?

Parte da resposta está nas circunstâncias em que se empreende no Brasil. Além de possuirmos baixa qualidade na educação e demais fatores de capital humano, as regulações sobre a facilidade de abrir e se fazer negócios no Brasil é uma das piores do mundo. É o que mostra os dados mais recentes de outra pesquisa: o ranking do Doing Business do Banco Mundial. O Brasil amarga posições acima da centésima, entre 190 países, sobre a qualidade das regulações que afetam a abertura de empresas, obtenção de alvarás de construção, registro de propriedade, aquisição de crédito e pagamento de impostos.

Por exemplo, no Brasil se demora, em média, 101,5 dias para abrir uma empresa e 1958 horas, por ano, para uma empresa cumprir as regras tributárias. Portanto, as regulações de negócios brasileiras impõem altos custos de tempo, dinheiro e burocracia ao empreendedor e, por isso, muitas vezes os empreendedores se veem condenados a permanecer como micro ou pequenos empresários ou, pior, seguir o caminho da informalidade. Enquanto esta situação não mudar, estaremos condenados a um empreendedorismo de baixa qualidade, não explorando todo nosso potencial para geração de riqueza.

Fonte: https://www.ibmec.br/rj