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MERCADO DE CERVEJAS ARTESANAIS EM NITERÓI DRIBLA CRISE E SEGUE EM EXPANSÃO

Nova legislação impulsiona setor, que já produz 90 mil litros por mês

A produção de cerveja artesanal iniciada há poucos anos em Niterói de forma tímida driblou a crise econômica e vem ganhando expressividade. O que antes era um investimento de apaixonados e entusiastas da bebida passou a ser encarado por novos empreendedores como um negócio promissor.

Levantamento do GLOBO-Niterói com as duas principais âncoras da cidade no mercado (Noi e Máfia) e com as 12 cervejarias ciganas(estabelecidas na cidade, mas que produzem em fábricas alugadas), integrantes da recém-criada associação NitCerva, mostra que a produção mensal já passa de 90 mil litros, distribuídos em mais de 50 rótulos. O setor emprega diretamente cerca de 630 pessoas e movimenta todo mês algo em torno de R$ 650 mil.

O crescimento é alavancado pelas cervejarias consideradas de médio porte, como a Noi e a Máfia, ambas estabelecidas em Itaipu. Fundada em 2008, a Noi é um exemplo de como o mercado de cervejas artesanais passou ao largo da crise econômica nos últimos anos. A produção média mensal da cervejaria saltou, em uma década, de dez mil litros para 60 mil litros.

Atualmente, a empresa movimenta cerca de R$ 400 mil por mês só com a produção e a comercialização de cervejas e emprega cerca de 500 funcionários em sua fábrica e nos sete restaurantes que tem em Niterói. A Noi conta ainda duas lojas fora da cidade: uma no Leblon, no Rio, e outra em Búzios.

A Noi, que já ganhou 31 prêmios, incluindo títulos internacionais, tem 12 rótulos e planeja o lançamento de mais dois para o próximo mês. De acordo com Bianca Buzin, diretora executiva e membro do conselho da Noi, a cervejaria pretende terminar o ano com uma produção média de 190 mil litros, a capacidade máxima de sua fábrica em Itaipu. Para isso, vem investindo em distribuição até para fora do país.

— Conseguir o reconhecimento é muito bom, mas estamos trabalhando para mantê-lo, investindo em marketing e assessoria e na ativação de clientes fora do estado. No último mês, tivemos uma venda de 12 mil garrafas para o Chile — conta Bianca. — A crise econômica não atingiu diretamente o mercado de cerveja artesanal. Quem sofreu muito foi o comércio, mas ativando novos clientes, conseguimos nos manter em expansão. Em janeiro deste ano, vendemos 30% mais do que no ano passado. E teríamos crescido mais se não fosse a crise.

Galpão no centro reúne cervejeiros

A Serra Verde Imperial, que fabrica a cerveja Máfia, fundada em 2016, começou a produção na cidade no ano passado, numa planta com estrutura para produzir 60 mil litros por mês, na fábrica instalada na Estrada Francisco da Cruz Nunes, em Itaipu. Atualmente, a produção mensal da cervejaria é de 18 mil litros. Com seis rótulos no mercado, a Máfia, segundo Carlos Ribeiro, um dos sócios da cervejaria, movimenta, em média, R$ 40 mil por mês e espera aumentar em mais de cinco vezes a produção nos próximos três anos. Em maio, a Máfia vai inaugurar um restaurante próprio na fábrica.

— Acreditamos muito nesse mercado. O crescimento da cerveja artesanal é mundial, apesar de aqui no Brasil ter chegado mais tarde. O mais importante tem sido a mudança de mentalidade do consumidor. Antes, existia um mito de que se você bebesse cervejas diferentes numa mesma ocasião teria dor de cabeça, hoje isso não existe mais. As pessoas saem de casa para experimentar cervejas diferentes. Isso está ampliando também os pontos de venda e criando um público qualificado. Qualquer local hoje que vende boa comida, seja uma pizzaria ou uma pequena lanchonete, vende também cerveja artesanal, porque existe um público para isso — comemora Ribeiro.

A pulverização de cervejarias menores, considerada comum no mercado de artesanais, também vem crescendo em Niterói e contribuindo para o aquecimento do setor. As ciganas, apesar de pequenas, apresentam uma produção expressiva. Cada cervejaria que faz parte da NitCerva (Dead Dog, Mosaico, Brewlab, Rota 104, Espiral, Matisse, Thirsty Hawks, SkullBier, Icarahy, Araribóia, Bonadiman e Invocada) produz uma média de mil litros por mês e movimenta cerca de R$ 18 mil.

São aproximadamente 12 mil litros mensais e mais de R$ 210 mil de faturamento bruto, se considerada toda a produção das cervejarias que integram a associação. A Rota 104, a Mosaico, a Dead Dog e a Brewlab instalaram suas distribuidoras recentemente em boxes de um galpão na Rua Heitor Carrilho, no Centro, que vem sendo chamado informalmente de Vila das Cervejarias.

O local, ocupado há anos por distribuidoras de jornais e revistas, vem mudando de perfil com a chegada das cervejarias. Sandro Gomes, proprietário da Dead Dog, está montando estrutura para também começar a produzir no galpão que funciona como uma espécie de coworking das pequenas cervejarias.

— A tendência é que as outras cervejarias da NitCerva venham para cá conforme forem vagando mais boxes. A ideia de nos concentrarmos aqui é, além de facilitar a logística de fornecedores e de distribuição, criarmos um local de referência para a cerveja artesanal em Niterói, com eventos de degustação e visitas frequentes — explica Ribeiro.

Lei regulamenta a produção

A produção das pequenas na Vila das Cervejarias só foi possível após a regulamentação de uma lei pela prefeitura na semana passada. Antes impedidas de se instalar em quase todos os bairros, protegidos pelos Planos Urbanísticos Regionais, as cervejarias agora podem ser criadas em qualquer ponto da cidade, com exceção de zona estritamente residencial de Itacoatiara e São Francisco.

O decreto municipal também permite a emissão de alvará provisório de 180 dias para facilitar a regularização do negócio e institui as diretrizes para concessão do Selo Niterói Cervejeiro, que sinaliza os rótulos produzidos na cidade. Com o reconhecimento, elas poderão ter espaços próprios para comercialização e/ou promoção de seus produtos em eventos organizados pela prefeitura.

Fonte: https://revistapegn.globo.com/